sábado, 27 de agosto de 2022

"Encontros" é um filme que precisa ser costurado por quem o assiste


 As relações humanas são de certo complicadas. Amores vêm, vão, mas de certa forma estamos sempre ligados ao que já passou. O fim, talvez não seja definitivo já que não se é possível apagar a memória.

Demonstrando essas relações em 3 histórias que deveriam se ligar, mas acabam de certa forma sendo distintas, Hong Sang-soo chega aos cinemas no próximo dia 1º de setembro com o filme "Encontros".

Com apenas 66 minutos, Encontros mostra como são as relações amorosas, sejam elas entre pais e filhos homens e mulheres ou amigos.

A primeira história começa com o desespero de um pai, médico, pedindo a Deus que o ajude num pedido de socorro que nós, espectadores, não temos a mínima ideia do que seja. Imaginamos talvez ser uma doença já que ele havia pedido para o filho ir visitá-lo, coisa que, entendemos, fazia muito tempo que ele não o fazia. Porém, o que vemos é um pai muito mais amigo e caloroso com um grande ator dos teatros da Coreia que passa com ele em consulta do que com o filho a quem ele não via há um bom tempo.

Na segunda história, vemos uma mãe que acompanha a filha em uma viagem à Alemanha. Assim como na primeira história, à primeira vista parece uma relação fria, apesar de percebermos que se trata de uma mãe super protetora que quer ter certeza de que a filha ficará bem durante seus estudos em terras estrangeiras e não se sente confortável quando a filha diz que vai se encontrar com um amigo, na verdade namorado, que a visita inesperadamente.

Pra fechar o longa, a terceira história volta à Coreia e vemos o filho (presente na primeira historia e na segunda, como o namorado da estudante) agora reencontrando a mãe, que desta vez está acompanhada do importante ator da primeira história. De novo parecem relações familiares mais frias enquanto se há mais cumplicidade com aqueles que parecem mais amigos.

Talvez a gente fique esperando que as histórias se liguem, que se completem, mas elas não se fecham. Por uma linha de raciocínio ou outra presente em cada uma, cabe a nós deduzirmos qual o destino de cada personagem e o que as levou ao próximo ponto da história.

O longa parece não se passa em um teatro, mas poderia facilmente se passar. As falas e os trejeitos condizem mais com os palcos do que com a película e num tom meio novelesco Sang-soo abusa de zoom-in e zoom-out numa fotografia em branco e preto.

É um filme curto e ótimo para ficar remoendo e pensando no que Sang-soo quis nos apresentar e, talvez esteja no mar a resposta que procuramos para todas essas relações, talvez seja ele a linha que une essas três histórias, afinal, como nos diz Caymmi, "o mar, quando quebra na praia é bonito, é bonito".

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

"Entre Rosas"- Desistir dos sonhos não é uma opção


          Nascer, ser cuidado, criar e procriar. Poderíamos aqui estar falando sobre o ser humano, mas não, aqui, não é esse o ponto.

       Quando falamos em cuidado e criação, não estamos só falando de pessoas. Quando se tem um negócio pequeno, seja ele uma herança de família ou não, é preciso criar, cuidar, regar todos os dias e, acima de tudo, ser forte o suficiente para não ser engolido pelas grandes corporações.

         É nessa batalha diária e no cuidado com o que se ama que temos a história de Entre Rosas, filme francês dirigido por Pierre Pinaud, que estreia nos cinemas no próximo dia 1º de setembro.

         Distribuído no Brasil pela California Filmes, Entre Rosas conta a história de Eve, uma famosa criadora de rosas que se vê arruinada quando uma grande empresa de flores começa a ter destaque e a querer comprar o seu pequeno negócio.

          Aliás, seu grande concorrente é quase digno da Rainha de Copas em "Alice no país das maravilhas", romance escrito em 1862 por Lewis Carrol - que queria rosas perfeitas e seus serviçais viviam tentando pintar as rosas brancas de vermelhas - mas não pela maldade ou por querer cortar a cabeça de todos que não o obedecem, mas sim, por ser criador de rosas perfeitas e por não doar e nem permitir que outras pessoas façam criações maravilhosas a partir de raridades em sua propriedade.

          Querendo sobreviver e manter sua grande paixão - herança de seu pai - Eve decide que não vai desistir e, com a ajuda de três trabalhadores sem habilidade nenhuma para flores, ela planeja roubar uma muda de uma rosa super rara que está em posse de seu algoz para, quem sabe, vencer o concurso do próximo ano e recuperar suas perdas nesse negócio.

         Nessa ideia incrível para se reerguer, Eve percebe que não são só as rosas que precisam de extremo cuidado. Do contato com Fred, um ex-detento abandonado pelos pais, ela percebe que as pessoas também criam espinhos para se defender e que carinho e cuidado também podem transformar até as mais secas folhas e os mais rígidos corações.

            Mas, assim como diria o músico Geraldo Vandré lá no fim dos anos 70, pra não dizer que não falei das flores, Entre Rosas é de uma delicadeza sem igual. Com uma fotografia delicada e impecável como se fosse uma pintura de Klint, Van Gogh ou Manet, o longa traz as cores de uma extensa plantação de rosas e há momentos no filme que parece até que sentimos o aroma adocicado e cítrico de rosas tão belas.

            Talvez essa precisão se dê por conta da paixão que Pinaud tem por flores desde criança, e por imaginar o jardim ideal junto de seu irmão.

             Pra quem procura uma comédia leve, gostosa e delicada para assistir, Entre Rosas cumpre o seu papel e nos faz refletir até que ponto temos que apenas comprar e consumir das grandes corporações, sempre cheias de técnicas, muitas máquinas e funcionários. Pequenos produtores também oferecem produtos de excelente qualidade e, às vezes, a simplicidade pode ser melhor do que a perfeição. Além disso, o pequeno produtor entrega carinho, amor e dedicação e, nessa analogia entre o gigante e o pequeno, Pinaud também faz um excelente trabalho em meio a centenas de enlatados que temos por aí.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

"45 do segundo tempo" une futebol e amizade e mostra que a vida deve ser vivida.





     Chega um dia que tudo começa a dar errado. Você tem dívidas, seu restaurante é interditado pela Vigilância Sanitária e sua cachorra, única companheira morre.

      Se fosse Joel, de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, filme dirigido por Michel Gondry, com certeza ia preferir contratar alguém para apagar sua mente, mas Pedro, interpretado brilhantemente por Tony Ramos, decide fazer outra coisa para apagar essa série de desgraças que acomete sua vida.

      45 do 2º tempo, longa dirigido por Luiz Villaça, que estreia no próximo dia 18 de agosto nos cinemas, mostra as tristezas e a decisão de Pedro, de pôr fim à própria vida pra solucionar seus problemas.

         Num reencontro com os amigos de infância Ivan (Cássio Gabus Mendes) e Mariano (Ary França), após repetirem, 40 anos depois, uma foto tirada na inauguração do metrô em 1954, os três se juntam em suas crises existenciais e fazem um balanço da vida que escolheram, percebendo que nem todas as decisões foram boas e prósperas.

        São três homens infelizes com as próprias vidas e parece que, pelo menos para Pedro, a ideia de ir para a cidade onde costumavam passar as férias, é a única atitude certa pra fazer antes de morrer.

         Além das atuações incríveis de Tony Ramos, Cássio Gabus Mendes e Ary França, Luís Villaça faz um ótimo trabalho com as câmeras que nem sempre precisam mostrar ao espectador o que aquelas três figuras tão próximas veem e sentem.

        Tanto a cena em que Pedro mostra que sua cachorra e companheira, Calabresa, estava morta dentro de um freezer de seu restaurante, quanto a cena em que os três decidem reviver um momento de infância tomando banho na caixa d'água da cidade, Villaça nos presenteia com a excelente atuação dos três atores e, na nossa mente, a gente imagina a figura da cachorrinha morta e a felicidade do banho revigorante nas águas da caixa d'água.

       Aliás, apesar da temática melancólica, 45 do 2º tempo é um filme leve, divertido que faz com a gente se lembre daqueles almoços de família italianos sempre regados a muito falatório, palavrão, vinho e uma bela massa.

         Não é um filme italiano dirigido por Paolo Sorrentino e nem tem Toni Servillo no papel principal, mas o nosso Tony brasileiríssimo dá um show e vem mostrar que o cinema nacional é grandioso e que os problemas da tela são problemas da vida real e o futebol e a verdadeira amizade pode acalantar e abrilhantar nossos piores momentos e cabe a gente aproveitar o máximo da vida até o fim.

sábado, 13 de agosto de 2022

"Meu álbum de amores"- Nem todo mundo tem apenas um grande amor


 



Se "Meu álbum de amores" fosse uma música, com certeza seria "Amor Perfeito", de Roberto Carlos.

Júlio fecha os olhos pra não ver passar o tempo, diz que sem sua amada não consegue viver e nesse recém rompimento de relacionamento, descobre que seu pai não era realmente seu pai.

Dirigido por Rafael Gomes e com músicas de Odair José e Arnaldo Antunes, "Meu álbum de amores", que tem estreia nacional no próximo dia 18 de agosto, conta a história do dentista Júlio. Um jovem com seus vinte poucos anos, bem sucedido e "certinho"que, a partir do término de seu namoro de 5 anos com Alice, ganha um meio-irmão músico e, da desconstrução que vira a sua vida, percebe que ele não conhecia nem o seu verdadeiro pai e nem a si mesmo já que começa a questionar sua carreira e, até mesmo, a vida que sempre levou.

O fato de descobrir que é filho de Odilon Ricardo, um dos maiores nomes da música brega do país, leva Júlio a perceber que sua vida não era pacata e previsível. Aliás, o diretor Rafael Gomes, por meio de jogo de luzes e diálogos teatrais, mostra ao espectador, e ao próprio protagonista. que a vida está mais pra cores psicodélicas e vibrantes do que para  monótonos tons pastéis.

O filme não conta com uma assistente virtual como a Samantha de Her, título de Spike Jonze, mas o sofrimento pelo qual Júlio passa, se assemelha muito ao sofrimento de Theodore na trama de Jonze.

Perdido e desorientado, assim como Theodore, Júlio se acha obrigado a procurar não só o seu grande amor, como também o grande amor de seu pai, mas a vida lhe mostra que nem todos estão predestinados a terem sua metade da laranja. Amores vem e vão e nada é perfeito e pode ser metodicamente premeditado. Além de efêmera, a vida está mais pra uma playlist em modo aleatório do que pra um disco de vinil com lado A e lado B.

Inclusive, previsível como um disco de vinil, "Meu álbum de amores"é dividido em capítulos como faixas musicais e mostra o sofrimento, a descoberta, a aceitação, o filho que rompe com a mãe e depois se reconcilia; a melhor amiga e eterna apaixonada, a ex-namorada que volta pra explicar porque o abandonou e a dúvida que todo mundo um dia tem se realmente seguiu pelo caminho certo ou não.

Aliás, o longa vem trazer ao público que essa temática de "grande amor", digna das músicas mais bregas do mundo, vem por água abaixo quando se descobre que a vida é feita de momentos, prazeres e amores que podem sim ser voláteis e estarem mais pra uma música de Tom Jobim que diz que tristeza não tem fim, mas felicidade sim do que pra um eterno romântico que ainda manda flores como Roberto Carlos.

Bom filme pra assistir num domingo à tarde.

domingo, 24 de julho de 2022

Virar mar traz ao espectador mais do que a importância da água


Não tem como assistir "Virar Mar", filme dirigido por Philipp Hartman e Danilo Carvalho, numa co-produção Brasil e Alemanha e não se lembrar do livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha, em que o beato Antonio Conselheiro diz que "o sertão vai virar mar".

Alternando ora o município de Forquilha, no Ceará e ora os pântanos de Dirthmarchen, na Alemanha,  ora ficção e ora realidade, o longa com 84 minutos traz ao espectador a realidade da água em dois países completamente diferentes e o quanto tê-la em abundância e não tê-la é desesperador.

O fato é que tanto em Forquilha quanto em Dirthmarchen, a população vive preocupada e com esse elemento tão fundamental na vida do ser humano. Porém, em ambos os países a preocupação é totalmente oposta já que Forquilha sofre com a falta de água, vive em seca quase extrema, que está sendo cada vez mais constante e o pouco que tem, acaba sendo tão poluída que nem Jesus, se estivesse vivo, conseguiria caminhar sob as águas. e, em Dithmarchen, a cidade se prepara para ser inundada já que essa parece ser a única opção para o problema do elevado aumento do nível das águas do mar e construir diques cada vez mais altos parece não resolver mais o problema.

É importante frisar que essa discussão sobre os problemas hídricos tem ganhado cada vez mais espaço e "Virar mar"faz a gente questionar sobre o que o ser humano está fazendo para amenizar os problemas climáticos cada vez mais presentes em nosso cotidiano.

Nenhum dos dois diretores em nenhum dos dois países pretende solucionar o problema da água. Eles apenas escancaram que a água é muito importante e ninguém está realmente preocupado com seu real valor e ninguém parece realmente pensar no que vai ocorrer no futuro.

"Vira mar" é um filme contemplativo, reflexivo e poético. Combina documentário e ficção e  tem estreia marcada para o próximo dia 28 de julho.


sexta-feira, 22 de julho de 2022

"Poetas do céu" estreia trazendo mais do que pirotecnia para as telas.


31 de dezembro, meia-noite, um novo ano está prestes a começar. Não tem como não fechar os olhos e, num tilintar suave, lembrar das palavras de Willy Wonka em "A Fantástica Fábrica de Chocolate"- "Close your eyes, make a wish" (Feche os olhos e faça um pedido).

Aprendemos desde pequenos que o início de um novo ano é um marco e quase nunca passa pelas nossas cabeças que ele pode ser apenas uma continuação, mas todos temos os nossos rituais. 

Seja pular 7 ondas, comer 12 uvas ou sementes de romãs. Cada tribo tem o seu hábito. Cada religião o seu costume, mas algo que pertence a todos os povos, seja ele qual for, é a queima de fogos, o show da pirotecnia. 

Luminosa e barulhenta ela nos anuncia que um ano está prestes a começar, parece queimar tudo o que de ruim se foi e dar luz ao incerto que virá.

"Poetas do céu" é um documentário dirigido por Emílio Maillé, que estreia com exclusividade no Petra Belas Artes, no próximo dia 28 de julho, e que conta a história das pessoas que vivem da pirotecnia e trazem ao mundo mais do que apenas luzes ao céu, pois os fogos de artifício nos oferecem histórias e constróem pinturas incríveis que, estourados também durante o dia, formam desenhos que se assemelham aos aliens do filme "A Chegada", dirigido por Denis Villeneuve.

Logo que o documentário começa nos sentimos parte dele. Acompanhamos algumas pessoas dos mais diversos lugares do mundo como se caminhássemos para conhecer um pouco da vida de cada um. Na verdade somos os olhos que guiam a câmera e cada uma delas ali tem como principal função trazer alegria e esperança às pessoas através de fogos de artifício, sejam eles queimados no início de um ano novo ou em alguma comemoração importante como o dia de Santa Bárbara, a protetora dos pirotécnicos e fogueteiros.

Emilio Maillé nos entrega paixão e com maestria não precisa nos mostrar o queimar dos fogos a todo momento. Em um plano aberto incrível, vemos o criador diante de sua obra, mas não vemos a obra, só a ouvimos, mas sabemos bem o que se passa diante dos olhos daquele criador e do que ele sente diante dela. Naquele momento ele é um Deus e é só sua imagem que interessa.

O ser humano sempre foi fascinado pelo fogo e dessa fascinação veio a arte da pirotecnia. 

Ao longo dos 102 minutos de filme, vemos que famílias trabalham o ano todo na fabricação de fogos de artifício e a pólvora, elemento fundamental que sempre foi ligada à bomba, na mão dessas pessoas é  arte.

Só que, ao produzir esses fogos, não há apenas beleza,  elas estão expostas ao perigo e, apesar da felicidade da produção, há também o medo e a emoção. 

"Poetas do céu" é poema por meio de imagem. É se sentir parte do universo da pirotecnia e estar próximo do sentimento das pessoas que constróem e nos trazem esperança a cada estouro, fogo e luz. Vale cada segundo.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

"Boa sorte, Léo Grande" e como nenhuma mulher está realmente preparada para envelhecer


Já disse David Bowie: "Envelhecer é um processo extraordinário em que você se torna a pessoa que você deveria ter sido".

Partindo dessa ideia, ambientado quase que unicamente dentro de um quarto de hotel, "Boa sorte, Léo Grande", que estreia dia 28 de julho nos cinemas,  nos mostra o quanto envelhecer pode ser extremamente difícil.

Não são só os cabelos que ficam brancos ou a pele que começa a ficar flácida e enrugada. Nem sempre a mente acompanha os processos do corpo e Nancy, interpretada brilhantemente pela atriz Emma Thompson,  revela para o espectador que, mesmo com mais de 60 anos, uma mulher pode querer ser desejada como se tivesse 20.

O grande problema é que, na realidade, a gente sabe que não é assim. Para a mulher, o peso da idade avançada é avassalador e muitas vezes até, destruidor.

Dirigido por Sophie Hyde, "Boa sorte, Léo Grande" conta a história de Nancy, uma professora de 63 anos que, viúva há 2, resolve contratar um garoto de programa, Léo, interpretado por Daryl McCormack para tentar ter algo que nunca teve: um orgasmo.

Extremamente organizada, cheia de regras como um quarto bem arrumado de hotel, Nancy vai se despindo, a cada encontro com Léo, de suas roupas, de seus pensamentos retrógrados e de uma vida em que ser a esposa e mãe perfeita a levou ao comodismo e à frustração.

Até mesmo a câmera possui as mesmas características de Nancy. Tímida e receosa, de início, ela não nos mostra a primeira transa entre os dois e à medida que a personagem vai se modificando ela também  inicia a sua transformação, sem receio de despir a personagem de suas roupas e pudores.

"Eu poderia ter feito muitas coisas se não tivesse sido mãe", diz ela em uma das conversas com Léo.

Assim como em "A filha perdida", de Maggie Gyllenhaal,  "Boa sorte, Léo grande"  aponta que a mulher é sempre muito cobrada  e nem todas têm a ousadia de Leda, de "A filha perdida", de abandonarem tudo para viverem como querem viver. 

Diferente de Leda, Nancy só toma uma atitude na velhice, já viúva. 

É ao contratar um jovem inteligente e certo de sua profissão, que ela encontra a vida que não viveu, a coragem de fazer o que sempre desejou, que se desnuda pra ela e para o público para se reconhecer como mulher.

Sophie Hyde acerta em todos os sentidos e nos traz um tema cada vez mais necessário.  Ela nos mostra o quanto é difícil para as mulheres falarem sobre sexo, o quanto é difícil aceitar o próprio corpo, como a mulher é vista como alguém que não pode sentir prazer. Mostra também que a sociedade é hipócrita e Emma Thompson cumpre com excelência o papel a que ela se propõe.

"Criaturas do Senhor" traz Paul Mescal e Emily Watson em discussão sobre abuso e maternidade.

Se você é mãe está lendo este texto, o que você faria para defender o seu filho? Acredito que muitas aqui responderiam a essa pergunta dizen...